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Graffiti de Apucarana ganha cada vez mais espaço

Foto: Maicon Sales
Foto: Maicon Sales

Promover o acesso à cultura, despertar a curiosidade e dar nova vida aos lugares. Esses são os objetivos de Zion, o grafiteiro apucaranense, que vem colorindo os muros e as paredes da cidade.

Márcio de Luchtenberg se descobriu grafiteiro em 2014, e desde então busca conhecimento e aperfeiçoamento para melhor elaborar suas artes. As pinturas dele estão espalhadas pela cidade.

Os desenhos estão no centro, nos bairros, em lugares que antes eram ‘cinzas’ e esquecidos pelo tempo. Mas agora, a arte que veio da rua, ganhou empresas, escritórios, academias, colégios, enfim, lugares onde o graffiti antes, não tinha acesso.

“O Graffite surgiu na rua, ele está sempre presente na rua, dando acesso as pessoas a cultura. É muito bom ser valorizado, ver que as pessoas estão gostando do graffite. Eu creio que o graffite traz um contraste nos lugares abandonados e nos mais chiques. Em Apucarana o graffite ampliou bastante, somos referência na região norte. Cada graffite que eu faço, traz uma emoção diferente e algumas pessoas acabam se identificando. Isso faz com que de alguma forma, a pessoa tenha acesso a cultura, que hoje é tão escasso em alguns meios”, comenta Zion.

O artista é também ferroviário, as pinturas ele faz em seu tempo livre. Em agosto Zion, em parceria com a prefeitura municipal, realizou o 3º Encontro Nacional de Graffiti. 51 grafiteiros de sete estados brasileiros e do Chile participaram e coloriram o muro do Colégio Estadual Nilo Cairo. Zion também já usou a arte dele como medida de ressocialização.

“Depois do evento percebi que existem muitas pessoas pintando e isso é ótimo. No graffite não tem distinção de quem é o melhor, todos se respeitam e eu respeito quem quer ir pra rua pintar. O graffite foi me dando oportunidades, em já trabalhei em várias cidades em parceria com a assistência social aplicando medidas socioeducativas com crianças. Elas gostavam muito e eu acredito que consegui mudar a vida de alguém. Não vivo do graffite, sou ferroviário, mas eu pinto bastante”, detalha o grafiteiro.

Mais conhecido como Zion, Márcio explica o que significa o codinome. “ No graffite existe apenas um codinome no país, então tinha que ser algo especial, eu e um amigo formamos esse nome, Zion, que é uma grande referência para mim, significa Monte Sião, local onde Jesus orava. Eu sou muito religioso, sou cristão e esse nome me representa bem”, explica.

Zion está finalizando um desenho em uma academia. Na parede, grafitou Mathew Fraser, um atleta CrossFit profissional norte-americano.

O desenho fez tanto sucesso, que o atleta americano compartilhou a imagem em suas redes sociais. Bruno Nande, um dos administradores da academia, contou que quase não acreditou quando o atleta compartilhou a foto.

“Nós convidamos o Zion por que sabemos do grande artista que ele é. Escolhemos pintar na parede o Mat Fraser, pois ele é referência para nós do CrossFit. Nós tiramos uma foto da pintura em andamento e postamos em nossas redes sociais. Não passou muito tempo, o próprio atleta compartilhou e comentou na imagem. Ele disse que não tinha visto ainda uma imagem tão grande dele, e que se sentiu muito feliz pelo carinho, homenagem e reconhecimento”, detalha Bruno.

Para Zion, esse também foi um momento de muita alegria, ver seu trabalho sendo compartilhado em outro país.

Confira a entrevista completa em vídeo. 

Texto: Silvia Vilarinho

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