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O dia em que a prefeitura de Apucarana foi invadida pelo Exército

Em 22 de outubro de 1987 (há quase 32 anos) um fato ocorrido em Apucarana chamou a atenção em todo o Brasil.

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Por volta das 10 horas da manhã daquele dia cerca de 50 militares do 30º Batalhão de Infantaria Motorizado (BIMtz), que hoje é o 30º Bimec, desembarcam em quatro viaturas em frente à Prefeitura  e Câmara de Vereadores, cercaram o prédio e impediram a  entrada e saída de pessoas.

Comandando os militares armados com fuzis e pistolas estava o capitão Luiz Fernando Walther de Almeida (hoje tenente-coronel da reserva), na época com 34 anos.

O prefeito na ocasião era Carlos Roberto Scarpelini, que naquele dia estava na Assembleia Legislativa, em Curitiba, no gabinete do irmão, à época deputado José Domingos Scarpelini.

Acompanhado por um grupo de soldados, o capitão invadiu o gabinete do prefeito e entregou a um assessor do Executivo Municipal carta de protesto contra os baixos salários e a deficiência do atendimento de saúde aos militares.

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O fato ocorrido em Apucarana deixou no ar um clima de desconfiança, com o temor sobre possível destituição do presidente da República, José Sarney, e a volta da ditadura militar, que ainda estava viva na memória da população. Imprensa e lideranças políticas da época repudiaram a atitude, mas o protesto surtiu efeito.

Na mesma noite, o então presidente José Sarney anunciou, em rede nacional, reajuste de 25% para todos os militares do Exército,  Marinha e Aeronáutica.

O comando do Exército, porém, disse na época que o aumento já estava programado.

O caso foi divulgado à época com informações detalhadas pela Tribuna da Cidade, precursora do Jornal do Norte e da Tribuna do Norte.

O militar que comandou a ação em Apucarana foi julgado em Curitiba, na 5ª Circunscrição Judiciária Militar, tendo sido condenado a três anos de prisão.

Depois ele foi julgado no Superior Tribunal Militar, em Brasília, onde a pena caiu para oito meses.

E por fim, acabou beneficiado por indulto natalino e cumpriu apenas cinco meses de prisão.

Carlos Scarpelini, que era prefeito à época, afirmou que ação dos militares em Apucarana não tinha nada a ver com uma possível tentativa de retorno à ditadura militar, mas foi sim apenas uma forma de protesto contra os baixos salários da corporação.

“A ação dos militares durou poucos minutos e aconteceu em outras cidades do Brasil.

Eles entregaram uma carta de protesto e reivindicação de melhores salários na prefeitura e para a imprensa e depois deixaram o local, tudo de forma pacífica”, lembra Carlos.

O prefeito de Apucarana era Carlos Scarpelini quando militares
do Exército fecharam a prefeitura: protesto por melhores salários
Foto: José Luiz Mendes

O advogado Armando Gracioli, que tem um escritório ao lado da Prefeitura e da Câmara de Apucarana, lembra do episódio e discorda em partes do ex-prefeito Carlos Scarpelini.

“Acho que além de protestar contra os baixos soldos, o capitão que mandou cercar a prefeitura teve uma sensibilidade profética, prevendo que essa democracia que aí está tem grande possibilidade de tender para o totalitarismo, transformando o Brasil e uma Venezuela”, completa Gracioli.

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Advogado Armando Gracioli: além de protestar contra os baixos soldos, o
capitão que mandou cercar a prefeitura teve uma sensibilidade profética
Foto: José Luiz Mendes

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